Sábado, 16 de Janeiro de 2010

Viver acima das possibilidades

Não se pode viver acima das possibilidades. Não podemos gastar aquilo que não temos. No entanto há quem o faça e, pior ainda, há quem acredite que pode fazê-lo. Para estes últimos, a situação é muito preocupante pois o primeiro passo para se corrigir um erro é reconhecer que ele existe. E o erro aqui em causa, o tal de viver acima das possibilidades, é muito grave e, no entanto, não faltam exemplos de quem tenha caído na tentação: a pessoa que em vez de poupar gasta o seu dinheiro em futilidades incomportáveis, contraindo depois créditos e mais créditos, e mais compras, e mais créditos, e créditos para pagar créditos; a civilização (humana e "inteligente", note-se) que gasta petróleo e carvão a torto e a direito, contamina água e parece que tem prazer em misturar a "limpa" com a "suja", cresce e cresce, gasta e gasta, consome e consome sem que o Planeta esteja preparado para tal exigência.
Necessariamente tudo isto acabará mal se nada for feito! Sim, porque há um caminho diferente. O Mundo pode tornar-se mais sustentável para que possa viver na Terra. A pessoa pode mudar de vida, gastando menos e fazendo um plano de pagamento das dívidas. Mas se o caminho da solução não for o escolhido, a Terra dará ao Mundo desastres naturais, doenças, fome, o Mundo dará a si mesmo guerra e a pessoa acabará debaixo da ponte ou atrás das grades!
Não se pode viver acima das possibilidades, gastando aquilo que não temos ou aquilo que precisaremos no futuro! De uma maneira ou de outra, qualquer situação insustentável acabará mal e isto não é difícil de perceber! No entanto, parece que Portugal se esqueceu! Continuamos a gastar mais do que podemos. O endividamento externo (público e privado) aumenta a passos de gigante, mas nada fazemos para o impedir. O Estado mostra orgulhosamente um défice (= viver acima do que pode), contrai dívida de ânimo leve e continua escandalosamente despesista! Obras mal feitas com contas "derrapadas", câmaras municipais que gastam o seu dinheiro a ganhar eleições, órgãos de administração regionais pesadíssimos para as necessidades das suas funções! E nós individualmente? Contraimos empréstimos aos bancos (que vão buscar o dinheiro ao estrangeiro) para consumos muitas vezes desnecessários e, em grande parte das vezes, de produtos importados! Ou seja, o dinheiro entra no País, mas sai pouco depois.
Portugal não pode viver acima das possibilidades e se assim continuarmos veremos o nosso País na bancarrota dentro de alguns anos!